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Esta arte praticada inclusive pelas célebres gueixas tornou-se tão popular que se chegaram a realizar torneios com prêmios aliciantes.

História do Chá

(primeira parte…) depois de terem estado na China a estudar, tiveram a oportunidade de observar a importância que o chá tinha na meditação religiosa, para não falar do seu agradável sabor!

Mas foi graças aos seus contornos religiosos que a bebida foi rapidamente aceita no Japão, não só nas cortes reais, mas em todos os quadrantes da sociedade japonesa. Neste país, porém, o chá passou a ser muito mais do que uma simples bebida aconchegante, atingindo mesmo o estatuto de uma forma de arte, com direito a cerimônia própria o “Cha-no-yu”. Foram construídos edifícios específicos para albergar esta cerimônia (onde o objetivo era preparar e servir o chá da forma mais perfeita, mais graciosa e mais charmosa possível), um ritual que demorava anos a aprender e a aperfeiçoar. Esta arte praticada inclusive pelas célebres gueixas tornou-se tão popular que se chegaram a realizar torneios com prêmios aliciantes. No século XIV, e depois de tanta euforia, os princípios religiosos e as raízes zen do chá foram resgatadas.
Foi a partir do ano 1560 que o chá começou a se tornar popular pelo mundo, conquistando uma multiplicidade de culturas e povos. Apesar de Portugal ter sido o primeiro país europeu a consumir chá, curiosamente foram os holandeses que importaram o primeiro carregamento de chá da China, algo que aconteceu no início do século XVII, depois de terem estabelecido um posto de trocas comerciais na ilha de Java. Muito em voga na Holanda, o chá depressa circulou para outros países da Europa Ocidental, mantendo-se, no entanto, uma bebida exclusiva dos mais abastados, devido ao seu elevado preço. E foi em 1650 que os holandeses levaram o chá para o continente americano, mais precisamente para a sua colônia “New Amsterdam” (atual Nova Iorque).

O chá apenas chega à Inglaterra em 1652 e pela mão da portuguesa Catarina de Bragança. Filha do Rei D. João IV e da Rainha D. Luísa de Gusmão, a princesa portuguesa casa com o Rei Carlos II e apresenta aos ingleses a sua bebida predileta, o chá. Que vem a se tornar a bebida mais popular na corte e, mais tarde, no resto da classe alta.
A Inglaterra teve, ao longo da história, uma influência direta sobre o papel e a importância do chá no mundo, a tal ponto que esta bebida tranquila esteve na base de vários protestos e até uma guerra. O famoso “Boston Tea Party” foi uma resposta direta dos colonizadores americanos à subida do imposto no chá por parte do governo britânico. A manifestação aconteceu no dia 16 de Dezembro de 1773 na doca de Boston, onde os manifestantes destruíram várias caixas de chá pertencentes à Companhia Britânica das Índias Orientais. Mas as coisas não ficaram por aí e os ânimos voltaram-se a exaltar por causa do chá, aliás, há quem diga que foi o “Boston Tea Party” que instigou a própria Revolução Americana. No entanto, importa esclarecer que a Revolução Americana não começou por causa do chá, mas sim porque os colonizadores americanos não tinham a liberdade de adquirir o seu chá onde pretendiam. O resultado desta guerra foi à independência do Império Britânico e a formação dos Estados Unidos da América.

Atualmente, o chá continua a deliciar gerações de povos espalhados por todo o mundo, sendo ainda mais popular do que o café! No início do século XX, e com a invenção dos saquinhos de chá nos Estados Unidos, houve uma “revolução pacífica” na forma como esta infusão era consumida. Porém, alguns adeptos do chá continuaram a preferir a sua preparação com recurso a folhas e erva caso dos britânicos que apenas aderiram os saquinhos na década de 70! Com sabores para todos os gostos e benefícios ao nível da saúde e do bem-estar geral de quem bebe, o chá continuará certamente a fazer história!